Golpes
Como é ridículo o cinismo de algumas pessoas que insistem em abusar da boa-fé dos menos esclarecidos.
Ontem tive a oportunidade de fazer parte de uma tentativa de golpe. Ops, que fique claro que foi na condição de vítima.
Um suposto funcionário de um cartório telefonou para a empresa onde trabalho, e informou que havia 4 duplicatas a serem pagas, e que estavam prestes a serem protestadas, e que para que isso não ocorresse, era necessário que o responsável pelas contas entrasse em contato com a credora, e o mais importante: deveria ser antes das 14:00h.
No meio de informações desencontradas, suspeitei que fosse um equívoco, principalmente pelo fato do telefone da empresa de cobrança ser um número de celular, e em São Paulo. Alertei a pessoa que deveria resolver, e acompanhei o telefonema para resolver a situação duvidosa. Em primeiro lugar, nem tinha musiquinha enquanto se aguardava o atendimento telefônico. Como assim? Uma empresa que se preze costumeiramente tem um sistema que executa uma gravação ou uma melodia irritante. Até aí tudo bem, isso não é motivo para duvidar da sua idoneidade.
Devíamos falar com a Beatriz, que atendeu e foi consultar a dívida em questão. Informou que, com juros, multa e o escambau, devíamos R$1500,00. Mas de onde vem essa dívida? A tal “Bia” disse que se tratava de dívida com a Companhia Brasileira de Marketing, com a sigla fornecida por ela: CBM, e que iria para protesto no 1º Ofício de Notas e Protesto, em SP, indicando assim, um número para contato. Incrível que este número também era de um celular. Ao questionarmos que os números eram de telefonia móvel, ela justificou que em São Paulo existe uma tecnologia onde os dígitos telefônicos começam com o nº 8. Exigimos um número de telefone fixo da CBM, e foi fornecido um “0800”. Além disso, questionamos o registro no CNPJ da credora, e a atendente afirmou que não tinha acesso.
Pois bem, como não recebemos cobrança alguma via correio, pedimos que fosse enviada uma comunicação impressa e oficial. Correspondência que afirmaram já ter sido enviada anteriormente, inclusive com protocolo de entrega assinado pelo recebedor.
Agora, esclareço:
- Não temos negócio algum, com qualquer empresa em São Paulo.
- O nome da empresa de cobrança existe, mas o telefone é totalmente diferente.
- A Companhia Brasileira de Marketing existe, mas nunca fizemos contrato algum, e a sigla é COBRAM, e não CBM.
- Não existe nenhum “1º Ofício de Notas e Protesto” em São Paulo, somente “1º Tabelionato...”
- O “0800” fornecido como sendo da “CBM” era da rádio BAND FM.
- Como uma empresa que está cobrando uma dívida não tem o CNPJ da credora?
- A pessoa indicada como quem assinou e recebeu a correspondência raramente fica no escritório, e se estivesse, teria entrado em contato, já que era o presidente da empresa.
Enfim, depois de algumas pesquisas no Google, consegui descobrir todos os pontos suspeitos, e evitei o pagamento de um título inexistente.
Porém, infelizmente muitas pessoas já caíram neste golpe, depositam a quantia solicitada e nunca mais ouviram falar do título protestado... Lamentável!
Descrição genérica deste e de outros golpes em: http://www.fraudes.org/showext8.asp?pg=148

2 comentários:
Amigo,
Ontem aconteceu o mesmo comigo. Me ligaram com a mesma história, com todos os detalhes que vc citou... Então pesquisei na internet e realmente CBM nao existe, so existe COBRAM...
Os vagabundos nem pra aplicar fraude tem capacidade e sabedoria... Não que eu seja a favor... Mas deveriam pegar esse monte de vagabundo e cobrir de cacete pra aprender o valor que tem cada real ganho suado...
Rapaz aconteceu a mesma coisa comigo aqui na empresa, graças ao google o seu blog consegimos nos livrar desss fdp ...
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